O corpo

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Miro o corpo diante de mim – acomodado (ou não) sobre meu sofá; desfocado na tela do computador.

O corpo é todo comunicação: nos gestos, no tônus, na rigidez dos ombros levantados, que encurtam o pescoço e o deixa sempre com a aparência desconfortável.

Os olhos fundos revelam o cansaço crônico sem que seja necessário falarmos da insônia que a acompanha diariamente – apesar dos medicamentos na cabeceira.

O corpo magro e frágil denuncia a restrição de alimento, o medo do ganho de peso e me contam que ela não tem, ainda, lugar no mundo (por isso se encolhe tanto!).

Os corpos falam bastante comigo no consultório!

As dores nas costas, as enxaquecas resistentes a todos os analgésicos; as dores na articulação e os diagnósticos variados. As aulas de pilates, as sessões de fisioterapia, a quiropraxia esgotam suas possibilidades e a dor se agarra ao corpo como erva daninha’

Nessas horas, a desesperança ronda: “Será que vai ser sempre assim, Marina? Uma vida de dor?”.

Eh que o corpo não se resolve em si, não se alinha apenas com alongamentos diários e medicação apropriada. O corpo pede mais, pede apropriação, pede que o habitemos em todos os seus detalhes e sutilezas.

O corpo é morado do ser e dá sinais claros de quando está desalojado, não integrado, perdido de si: por isso clama para ser reunido sob nome próprio!

Por isso, aquele dia, lhe pedi para deitar ao divã. Não porque era hora de acessarmos o inconsciente. Eu queria só que o divã fizesse às vezes do meu colo, dos meus braços aquecidos, capazes de resguardá-la por 40, 50 minutos de presença humana confiável.

Queria só que ela se acomodasse nas almofadas como quem se acomoda sob outro corpo – como o bebê no colo – e pudesse, por alguns instantes, sentir a confiança no mundo e soltar o peso de se sustentar sozinha há tanto tempo!

(Ela deitou. Ela fechou os olhos. Ela suspirou fundo! E aos poucos ela encontra lugar dentro de si!)

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