O jeito próprio de cuidar

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Não tenha medo do que revela o seu jeito de cuidar. Nós analistas não conseguimos nos esconder de nossos pacientes.

Recuamos, é certo, como bons anfitriões que somos.

Abrimos a porta de casa para o novo hóspede chegar e deixamos que ele escolha onde se sentar. Aguardamos que ele nos mostre o que quer e precisa. Oferecemos a nossa escuta e o nosso cuidado e nos revelamos aí, nos detalhes.

No jeito próprio como cada analista cuida; na pessoalidade que releva nosso gestos mais particulares; nosso gosto por café e por móveis antigos que aparecem pincelados no nosso espaço; na lágrima que escorre no rosto da gente quando ouvimos uma história que nos emociona.

Nesses momentos, em que somos vistos por nossos pacientes, nos sentimos flagrados em nossa humanidade e às vezes temos medo de assumir que há também, por trás da técnica, do manejo, do cuidado e de todas as teorias, uma pessoa de carne e osso.

Gastamos tanto tempo escondendo a nossa humanidade que não nos damos conta que mora justamente aí, na possibilidade do encontro humano, a potência do nosso trabalho!

Para não falar que eu penso isso sozinha, dá-lhe Winnicott (1986):

“Descobrimos que, quando estamos face a face com um homem, uma mulher ou uma criança, estamos reduzidos a dois seres humanos de mesmo nível. As hierarquias caem. Posso ser médico, enfermeiro, assistente social, um parente que vive na mesma casa — ou, a propósito, psicanalista ou padre. Não faz diferença. Relevante é a relação interpessoal, em todos os seus ricos e complicados matizes humanos. Há um lugar para hierarquias na estrutura social, mas não no confronto clínico.”

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