O descanso da escuta

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A escuta do analista é ativa, disposição de presença, atenção flutuante,  entre o dito e o não dito, entre o gesto e o concreto do corpo.

A escuta do analista acolhe o silêncio – sem pressa, sem correria e se deixa levar por ele. Aguarda, pois sabe que precisa compreender o que ainda será revelado.

A escuta do analista é atenta às palavras e aos seus conteúdos mas também  aos novos usos, às contradições, aos lapsos e falhas que aparecem sem querer querendo.

A escuta do analista é apurada e identifica ritmos, na cadência de falas, nos intervalos das palavras, na intonação da voz, na afinação particular de cada paciente falante. Com o tempo nos tornamos íntimos dessas vozes (e eles da nossa!), sabemos pelo “Oi” do dia, que algo não está bem.

A escuta do analista ensina que voz é também materialidade do corpo, psicossomática sonora, ora abafada, sussurrada, ora áspera, ora rouca, ora abatida, ora viva e pungente!

E como música, cada voz, conduz à uma dança – analítica – e o analista se deixa levar, ciente dos passos possíveis (é verdade!) mas mantendo sempre a sustentação necessária e uma dose de espontaneidade companhia de todo dançarino que se preze!

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Nos finais de semana dou, aos ouvidos, descanso da escuta densa e comprometida dos outros dias.

Cuido de dar a eles outros sons, sons que restabeleçam e descansem: ouço as maritacas dando bom dia enquanto flagro os canarinhos em briga barulhenta, diante da mesa de alpiste colocada no deck.

Deixo a escuta ativa descansar e permito que os ouvidos sejam invadidos por outros sons: navego pela lista do Spotify, descubro artistas novos de lugares longínquos, me divirto com novos sons e instrumentos. Dou a falar no almoço sobre amenidades e coisas sérias da vida…

Nos finais de semana deixo o ouvido descansar e chamo uma boa música ou o silêncio reconfortante  para me acompanhar!

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